A Banalização da Injustiça Social

RESENHA DO LIVRO: DEJOURS, Christophe. A Banalização da Injustiça Social. Rio de Janeiro, Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1999, 4ª ed.P.11-60.

1- INTRODUÇÃO

O autor propõe uma discussão acerca da conjuntura social moderna, na qual identifica muitos pontos comuns com uma situação de guerra, contudo, uma guerra econômica e, os efeitos dessa guerra na vida das pessoas, buscando traçar um paralelo com uma guerra real, onde a sobrevivência da nação e a garantia da liberdade é o que se busca.

Em nome desta justa causa é que são empregados no mundo do trabalho, métodos cruéis contra os concidadãos, afim de excluir aqueles não aptos a combater, os velhos sem agilidades, os jovens despreparados e os vacilantes, que são demitidos das empresas, ao passo, daqueles que ficam, os aptos, são exigidos sacrifícios extras, mais eficiência, mais empenho, abnegação da vida particular, em prol da competitividade.

Em nome dessa guerra sã, admite-se atropelar princípios, tudo em prol da saúde, neste caso, da saúde das empresas, onde o indivíduo perde com o passar do tempo a esperança de melhora, chegando à conclusão que seus esforços só prejudicaram situação.

A cada semana, essa guerra econômica destrói mais empresas. As pequenas e medias empresas, mais vulneráveis do que as grandes são particularmente atingidas, mas também os gigantes, que lucram pela a eliminação de seus concorrentes menores, não estão a salvo da derrota.Na verdade esta guerra econômica causa estragos, inclusive entre os mais ardentes defensores de um liberalismo sem peia.

Alguns especialistas enviam sinais de alarme. A ineficácia de seus apelos os leva a suspeitar que certos atores do drama estão conduzindo as coisas a cega. Contudo, Dejour discorda desta visão. Suas experiências junto a dirigentes indicam que os protagonistas estão cientes dos riscos que correm, mas que, em sua maioria, não desejam mudar o rumo, pois entendem que neste processo, seus adversários serão os primeiros a se esgotar, portanto, reinarão na paz restabelecida.

Uma parcela dominante dos dirigentes , cujas convicções neoliberais são lógicas e compreensíveis, tem seus ideais não só aceitos, mas partilhados pela maioria dos cidadãos europeus. Por isto as posturas e as decisões destes são só legais, como também legitimadas pela sociedade.

Mas o que intriga a todos nós é por que a maquina de guerra funciona tão bem? Possivelmente esta guerra começou e se prolongou porque era inevitável. Ela se auto-engendrou se auto-reproduziu em virtude da lógica interna do sistema econômico mundial; o mercado. Ou ainda, pela existência de leis econômicas tidas como leis “instituídas”, isto é, construídas pelos homens, onde a evolução das conjunturas é sensível às decisões e ações humanas.

Sob esta perspectiva, a guerra sã não teria origem unicamente na natureza dos sistemas econômicos, no mercado ou na globalização, mas nas condutas humanas. A máquina de guerra funciona por que homens e mulheres consentem em dela participar. O que nos leva a refletir sobre as motivações subjetivas da dominação. Porque uns consentem em padecer sofrimento, enquanto outros consentem em infligir tal sofrimento aos primeiros?

1.1 – Como tolerar o intolerável.

Mas por que a maquina de guerra funciona tão bem? Porque homens e mulheres assim consentem e não denunciam. O autor define duas possíveis respostas, uma que teria o status de lei natural, em uma lógica do sistema econômico mundial, o mercado, a outras é a lei instituída, constituída pelos homens, onde a evolução das conjunturas é sensível às ações do homem.

Dejours discorre sobre possíveis causas da tolerância dos indivíduos em relação ao que ele chama de “métodos cruéis” empregados pelas corporações em relação aos seus funcionários e vivenciados por estes últimos no ambiente profissional. O medo instituído de ser excluído, onde a demissão, o desemprego acarreta mudanças na identidade do individuo, ocasionando doença mental e física, quando só se buscava a felicidade, mas a cumplicidade em conviver sem ética de responsabilização e justiça, onde a psicodinâmica resulta no processo de banalização do mau, mau até contra outros.

Neste intento, sua argumentação baseia-se em que os indivíduos tendem a resignar-se diante dos problemas por absoluta dissociação entre a percepção do sofrimento alheio e a injustiça, mas esse fenômeno sistêmico só se altera quando o sofrimento e a dor passam diretamente ao eu do trabalhador, e com a transformação da qualidade social a partir dos anos 80 observamos mais movimentos de indignação contra a banalização do mau e mudança na gestão das empresas.

2-O TRABALHO ENTRE O SOFRIMENTO E O PRAZER.

Antes de se aprofundar na analise das relações entre sofrimento e injustiça, o autor nos mostra uma visão ampliada do sofrimento e sua relação com o trabalho, sofrimento que se supunha ter sido atenuado, ou mesmo, completamente eliminada pela mecanização e automação das tarefas.

Entretanto, por traz das vitrinas, há o sofrimento dos que temem não satisfazer, não estar à altura das imposições das organizações do trabalho: Imposições de horário; de formação; de aprendizagem; de nível de instrução e diploma; de experiência, rapidez de aquisição de conhecimento e destacadamente de adaptação a “cultura” ou ideologia da empresa.

Os estudos clínicos e as sondagens realizadas na França e em outros países no final do século XX, revelaram que por traz do progresso e da modernidade há um mundo de sofrimento, que deixa o autor perplexo devidoa omissão dos meios de comunicação que passaram a direcionar seus focos ao progresso tecnológico.

2.1 – Formas típicas de Sofrimento: Medo da incompetência

O “real do trabalho” é o que resiste ao conhecimento, ao saber, à técnica, ao domínio. O autor nos leva a questionar a defasagem entre a organização prescrita do trabalho e a organização real do trabalho.

A execução rigorosa das instruções e procedimentos leva á “operação padrão” ou “operação tartaruga”, em que o trabalho é executado com zelo excessivo.A gestão concreta da defasagem entre o prescrito e o real depende da mobilização dos impulsos afetivos e cognitivos da inteligência.

Neste aspecto o zelo no trabalho é tudo aquilo que os operadores acrescentam à organização prescrita para torná-la eficaz, que empregam individual ou coletivamente e que não depende da “execução.

Muitas vezes, os trabalhadores não têm como saber se suas falhas se devem à sua incompetência ou anomalias do sistema técnico. De qualquer forma, é a angústia de não estar à altura, de se mostrar capaz de enfrentar situações incomuns, incertas e que exigem responsabilidade, tornando-se fonte de angústia, que toma forma de medo de se mostrar frágeis.

2.2 – Formas típicas de Sofrimento: Pressão para trabalhar mal.

Outra causa frequente de sofrimento no trabalho surge em circunstancias opostas aquelas mencionadas, surgem da questão a competência e a habilidade.O trabalhador, mesmo sabendo o que deve fazer, não pode fazê-lo porque o impedem as pressões sociais do trabalho (ambiente social péssimo, obstáculos, sonegação de informação, prejuízo de informação etc.), constrangendo-o por métodos e regulamentos incompatíveis entre si.

O autor nos exemplifica esta visão através do caso do técnico de manutenção, onde não estão em questão a competência e a habilidade, mas as pressões sociais do trabalho (colegas criam obstáculos, o ambiente social é péssimo, cada qual trabalha por si, sonegam-se informações, prejudica-se a cooperação).

2.3 – Formas típicas de Sofrimento: Sem esperança de reconhecimento.

O trabalho exige total concentração da personalidade e da inteligência de quem trabalha. Quando a energia e o investimento pessoal aplicados ao trabalho não são reconhecidos, gera-se sofrimento mental.

O reconhecimento, portanto, é fundamental na dinâmica da mobilização subjetiva da inteligência e da personalidade no trabalho, permitindo a transformação do sofrimento em prazer, pois passa a dar sentindo não só ao trabalho, mas ao esforço, à angústia, à dúvida, à decepção.

O reconhecimento implica também na construção da identidade do sujeito e inscreve o trabalho na dinâmica da realização do ego. A identidade constitui a armadura da saúde mental. Quando o reconhecimento não acontece, o sujeito se vê reconduzido somente ao seu sofrimento. Num círculo vicioso e desestruturante, podendo levar à doença mental.

2.4 – Formas típicas de Sofrimento: Sofrimento e Defesa.

Em vez de detectar doenças mentais do trabalho, registrou-se que a maioria dos trabalhadores permanece na “normalidade”. Como conseguem não enlouquecer? A normalidade é interpretada como o resultado de uma composição entre o sofrimento e a luta contra o sofrimento no trabalho. A normalidade não implica em ausência de sofrimento, mas uma normalidade sofrente.

Se o sofrimento não se faz acompanhar de descompensação psicopatológica, é porque contra ele o sujeito aplica defesas que o controlam. As estratégias coletivas de defesa são construídas e empregadas, pelos trabalhadores, para esse fim.

As estratégias defensivas podem contribuir para tornar aceitável aquilo que não deveria sê-lo. Cumprem papel paradoxal, porém capital, nas motivações subjetivas de dominação. Por outro lado, necessárias à proteção da saúde mental contra os efeitos do sofrimento, elas também podem funcionar como uma armadilha que insensibiliza a pessoa contra aquilo que a faz sofrer.

3 – O SOFRIMENTO NEGADO.

Segundo Dejours, se o desemprego é a principal fonte de injustiça e de sofrimento, o grande palco do sofrimento é certamente o trabalho.

Na década de 70, os sindicatos e o Partido Comunista Francês – PCF – rejeitaram as questões do sofrimento psíquico no trabalho, ao mesmo tempo, o movimento esquerdista assume este discurso apenas em busca de poder político.

Apesar da tradição cultural das preocupações com os direitos de igualdade e liberdade, na França a saúde no trabalho foi tratada de forma mais lenta que em diversas grandes potências mundiais.

Todo este cenário de viés reacionário fez surgir uma fragilidade crescente das organizações sindicais. Dejours questiona: até que ponto a perda de expressão dos sindicatos é causa ou consequência da tolerância pelo sofrimento e do descaso pela subjetividade?

3.1 -Negação pelas organizações políticas e sindicais.

Segundo Christophe Dejours, a fragilidade sindical e dessindicalização não são apenas causas da tolerância, mas consequência dessa tolerância.

O negligenciamento entre trabalho e subjetividade, mas especificamente do sofrimento no trabalho perde espaço para a preocupação voltada para saúde do corpo, a atenção à saúde mental, ao sofrimento psíquico no trabalho, ao medo da alienação e a “crise do sentido do trabalho”, são assuntos deixados de lado nas décadas de 70 e 80.

Para os sindicatos, dar atenção a estas subjetividades era tido como prática individualizante, capaz de tolher a ação coletiva. Era uma atitude tida como anti-materialista, tolhendo a consciência de classe e favorecendo o pensamento “pequeno-burguês”.

As pesquisas em psicologia do trabalho evoluíram muito mais no sentido do estudo de “processos” do que na área da medicina do trabalho. Neste período surgiram métodos de “dinâmica de grupo” e uso de recursos audiovisuais como grandes novidades do momento. Todo este movimento acabou tendo como consequência a desqualificação do discurso da subjetividade e para a tolerância ao sofrimento subjetivo.

O sucesso do economicismo da era Mitterrand está ligado ao descompasso das organizações sindicais com a questão da subjetividade, pois o campo ficou livre para o crescimento dos conceitos de Recursos Humanos e Cultura Empresarial. Ficou um vazio para o desenvolvimento de projetos alternativos ao economicismo de esquerda e de direita.

3.2 -Vergonha e inibição da ação coletiva.

Ao mesmo tempo que a preocupação com o subjetivo passa a ser renegado, a falta de reação coletiva diante da adversidade social e psicológica causada pelo desemprego acaba sendo precedida por uma recusa deliberada de mobilização coletiva sob o pretexto de que o sofrimento psicológico do trabalhador resultava de uma sensibilidade exacerbada, de que se mobilizar pelo sofrimento psíquico era tomar o reflexo pela causa e levar ao impasse o movimento sindical. Começa então surgir um fenômeno silêncios e devastador de tolerância pelo sofrimento social.

Esta falta de preocupação com o sofrimento abriu as portas para “inovações gerenciais e econômicas”.

Nos EUA e Japão, por exemplo, cresce a “cultura empresarial” com novos métodos de RH usando promessas de “felicidade e sofrimento” com o pretexto da “adaptação na contribuição pela excelência”.

O pensamento neoliberal toma a frente, com alguns princípios que abandonam a figura do trabalhador como ser humano. Algumas destas idéias afirmavam que o trabalho é artigo raro, pois a automação poderia substituí-lo, o trabalho não suscita mais problema científico, pois se trata de uma atividade transparente, inteligível, reproduzível e formalizável.

De acordo com este novo movimento, os únicos trabalhos das empresas residem na concepção e na gestão. Desta forma o trabalho não confere mais sentido à vida dos homens, convém então, procurar substitutos do trabalho como mediador desta subjetividade.

Em contra ponto ao neoliberalismo, Dejours entende que o trabalho não é raro, na verdade existe uma sobrecarga de trabalho, principalmente sobre os terceirizados, além de uma mudança de local geográfico para a execução deste trabalho e aumento da forma ilegal, com jornadas abusivas e precariedades diversas.

Para Dejours, a bandeira da “Qualidade Total” surge como uma cortina que se sobrepõe a degradação da qualidade de trabalho e não é possível encontrarmos um substituto para a realização do ego no campo social além do trabalho.

Dejours percebe em seus estudos, que os gerentes, que antes atuavam acima da linha do sofrimento, passam a pertencer a este grupo. Os que sofrem com o trabalho encontram dificuldades para reagir coletivamente e a vergonha de pertencer ao grupo mais frágil acaba trazendo consequências como a “inculpação”, que se trata do efeito subjetivo de desaprovação por parte de políticos, intelectuais, executivos, da mídia e da massa, pois este tipo de mobilização coletiva passa a ser visto como uma atitude contra a perenidade empresarial e consequentemente ao progresso.

A vergonha espontânea de protestar quando é minoria passa a ser incorporada por todos como se os problemas sociais só afetassem os pobres e desvalidos.  Em meio a crise de desemprego, passa a valer a ideia de que você não deve reclamar do sofrimento no trabalho, porque ainda o tem. Logo, o espaço para discussão sobre as mazelas psíquicas do trabalhador torna-se restrito.

Talvez a consequência mais cruel da tolerância social, trata-se do ponto em que a não aceitação do sofrimento no trabalho, faz com que problemas graves sejam apagados da memória, ou seja, o indivíduo cria uma tolerância com o seu próprio sofrimento e começa também a abstrair o sofrimento alheio.

3.3 -Surgimento do medo e submissão.

O efeito da demissão, inevitavelmente, em maior ou menor grau, acarreta o aumento da carga de trabalho e o surgimento de novas e inquietantes formas de sofrimento. Em suas pesquisas, Dejours analisa o comportamento de trabalhadores em diferentes níveis hierárquicos e constata o que ele chama de defasagem entre “descrição gerencial do trabalho” e “descrição subjetiva do trabalho”.  Trata-se de um exercício de comparação de diferentes descrições sobre o processo de trabalho.

De um lado, gerentes de métodos, de setores que controlam a qualidade e os setores de RH, narram uma descrição fria e objetiva do trabalho, estes atores tendem a compreender as tarefas sob um ponto de vista gerencial, que possui grande distanciamento da descrição realizada por chefes de produção e operadores, que por sua vez realizam uma narrativa da mesma tarefa sob um enfoque mais subjetivo. Ambos são coerentes em suas narrativas, no entanto, a descrição gerencial se abstém de detalhes importantes que possuem grande peso na saúde psíquica dos operadores.

Dejour destaca que o trabalhador se precariza pela precariedade de suas condições de trabalho. Com a grande procura por emprego e a alta rotatividade, surge o medo da demissão e a submissão a esta precariedade. Os efeitos desta precariedade são: no caso das demissões, surge a intensificação do trabalho e o aumento do sofrimento subjetivo. O desencorajamento de pertencer ao grupo mais frágil causa a neutralização da mobilização coletiva contra o sofrimento que consequentemente faz emergir o silêncio e banalização do sofrimento por mais grave que seja, por fim, culmina-se o individualismo, o cada um por si.

3.4 – Da submissão à mentira.

A Discrepância entre a “descrição gerencial” e a “descrição subjetiva” está diretamente relacionada à inexistência de discurso organizado de contestação da discrepância das descrições pelos operadores e pelos gerentes.

Silenciosamente, a ameaça ao trabalhador é manipulada por diversos fatores como a própria dificuldade que os gerentes possuem em lidar com os problemas subjetivos, neste caso, informalmente, o gerente encontra-se impossibilitado de colocar em debate ou reflexão as barreiras da discrepância em relação ao subjetivo. Isso acontece porque o gerente é “desafiado” a trazer soluções para empresa e deixar os problemas da intolerância emergirem pode parecer indício de incompetência.

Deste modo, os gerentes passam a ter medo de levar a reflexão adiante e de terem as dificuldades usadas contra eles próprios. Em última análise, o medo se resume ao desemprego e como a disputa externa por oportunidades na área dos operadores, os próprios gerentes, de forma ardil, lançam mão desta manobra para intimidar os operadores.

Uma empresa só funciona quando os trabalhadores se ajudam através do uso de macetes, quebra-galhos, truques e até mesmo a antecipação a problemas eminentes. O espírito de cooperação mútua é a engrenagem informal de toda empresa. Faz parte de uma inteligência cognitiva necessária para a sobrevivência da instituição. Seguir rigorosamente a disciplina paralisa a máquina.

O medo do desemprego funciona como um motor que movimenta a máquina, mas a motivação e a gratificação também o podem movimentar. Por outro lado, o sofrimento e a dificuldade conferem suposto valor ao trabalho dando-lhes legitimidade, ou seja, trabalho tem que ser trabalhoso.

Para o sistema funcionar dentro desta contradição interna, nutrir-se do consentimento, da resignação ou submissão não é o suficiente. Não é possível avaliar o impacto das falhas e das dissimulações da empresa real no nível global da empresa.

Existe uma cadeia de informações dentro da hierarquia para que a máquina não pare. A distorção da comunicação nos dois sentidos da hierarquia faz com que a descrição subjetiva dos gerentes seja falsificada e a mobiliza fazendo-a perdurar.

Retomando ao início, o estudo de Dejours não tem a intenção de buscar responsáveis ou culpados, mas sim trazer a discussão sobre a saúde psíquica do trabalhador à tona e diminuir a distância do espaço vazio entre o estudo da subjetividade e o economicismo.

4 – CONCLUSÃO

Dejour apresenta, de forma brilhante a dinâmica na questão do trabalho, que implica num conjunto de relações sociais nas empresas. Esta dinâmica, segundo o autor opera normalmente entre o sujeito (o ser humano no trabalho), a realidade (o ambiente, as condições, a organização do trabalho) e o ambiente econômico.

Fica claro que o grande trunfo do novo capitalismo, que o faz tão bem sucedido na sua implementação da política de banalização da injustiça social, é a precarização do trabalho, através da competição por um lugar no mercado.

Este novo contexto econômico envolve, pois, o Darwinismo social, a banalização do male o holocausto dos trabalhadores. No capitalismo moderno o lucro e o poder econômico são os objetivos. O econômico controla o poder político.

Deste modo, somos convidados a refletir sobre o discurso corrente da flexibilização das leis trabalhistas, que, semelhante ao processo de desregulamentação dos mercados financeiros norte-americanos, pode tornar-se a positivação da banalização da injustiça social e o sepultamento dos direitos humanos, no que concerne às relações de trabalho.

Aqueles que querem impor esta reforma, justificam seu pensamento pela lógica da desoneração dos custos das empresas e o atingimento de um grau maior de competitividade no contexto do mercado internacional, advogando com freqüência que as normas protetivas (no caso brasileiro a CLT), são culpadas pelo desemprego, pela miséria e pela injustiça social.

Nesse sentido, fica claro o comprometimento do estado com a precarização do trabalho, pois, ao percebermos a falta de uma política pública de atenção à saúde psicológica do trabalhador, notamos também uma forma institucionalizada de violência ao sujeito.

O novo capitalismo neste cenário se difere do nazismo apenas nos seus métodos, pois,enquanto no nazismo, como em outros sistemas políticos totalitários, a violência se impõe pelo terror e pela força, neste novo contexto econômico,a violência se dá pela intimidação e pela exclusão social.  Portanto, a questão crítica torna-se saber como essas inter-relações podem ser harmonizadas sem sofrimento humano e ou perda da “eficiência”.

Sobre holbeinmenezes

GRADUADO EM ENGENHARIA OPERACIONAL, PÓS-GRADUADO EM ENGENHARIA ECONÔMICA, MBA EM GESTÃO PARA QUALIDADE TOTAL E MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO
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3 respostas para A Banalização da Injustiça Social

  1. Por acaso você é filho do Holbein Menezes, o audiófilo?

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