DINAMICA DA ACUMULAÇÃO DE CAPACIDADES INOVADORAS: EVIDENCIAS DE EMPRESAS DE SOFTWARE NO RIO DE JANEIRO E EM SÃO PAULO

Fichamento do Artigo publicado em: Revista (edição): RAE-revista de administração de empresas – VOL 50, N° 1 jan/mar 2010. ISSN 2178-938X http://rae.fgv.br/ – Ciências Sociais Aplicadas

Por Holbein Menezes

1 – Objetivo principal: Analisar a dinâmica de acumulação de capacidades inovadoras relacionadas com as dimensões de direção e velocidade de acumulação destas capacidades, em oito empresas de software do Rio de Janeiro e de São Paulo, durante o período de 1990 a 2005 através do desenvolvimento de pesquisa de campo.

2 – Objetivos intermediários:

Classificar as empresas estudadas em níveis específicos de capacidades tecnológicas;

  • Identificar as diferenças inter e intraempresarias em termos da direção e taxa de acumulação de capacidades para funções tecnológicas especificas dentro da empresa;
  • Identificar se a taxa de acumulo de capacidades tecnológicas é mais rápida em empresas mais jovens;
  • Identificar se há decréscimo da taxa de acumulação tecnológica na medida em que estas empresas se aproximam de níveis mais inovadores de capacidade.

3 – Relação entre o tema escolhido e o artigo:

             Na década de 70, quando a crise do petróleo desencadeou recessão nos EUA e em outros países industrializados, a economia Japonesa e de alguns países asiáticos, iniciaram uma fase de crescimento alcançando a fronteira da tecnologia internacional.

Neste período se compartilhava a visão que empresas de países em desenvolvimento estavam envolvidas exclusivamente na seleção e adoção das tecnologias já desenvolvidas nos países industrializados, desempenhando um papel exclusivamente passivo no processo do desenvolvimento tecnológico, portanto, o desenvolvimento de capacidades tecnológicas oriundas destas regiões era considerada irrelevante.

Em oposição a este paradigma, estudos empíricos que adotaram uma perspectiva dinâmica da tecnologia nas empresas da America latina, e posteriormente Ásia, passando a examinar os vários mecanismos pelos quais as empresas adquiriam o conhecimento técnico para acumular suas capacidades tecnológicas inovadoras ao longo do tempo.

No artigo, os autores definiram capacidade tecnológica como recursos necessários para gerar e gerenciar atividades inovadoras em produtos, processos, sistemas organizacionais, equipamentos e engenharia de projetos. Para eles, estes recursos estão incorporados não apenas nos indivíduos, mas, principalmente, no sistema organizacional. Sob este prisma, a inovação é também definida como implementação de idéias criativas dentro de uma organização.

Criatividade de indivíduos e grupos é o ponto de partida para inovação, portanto, uma condição necessária para inovar, contudo, não é o suficiente para a inovação, assim, a criatividade deve ser mostrada por pessoas, todavia, a inovação ocorre apenas no contexto organizacional (AMABILE, 1996).

Na perspectiva de Schumpeter (1942), de fato, a inovação vai além da mudança tecnológica no sentido estrito. Envolve a “condução de novas combinações” interpretada de maneira ampla. Este conceito cobre os casos: i) a introdução de um  novo bem ou serviço; ii) introdução de um novo método de produção ainda não testado; iii) abertura de um novo mercado ainda inédito para a empresa; iv) a conquista de uma nova fonte de matéria-prima. Um dos critérios chaves para o sucesso de uma inovação é o sucesso comercial.

Desta maneira, os autores basearam suas conclusões numa idéia ampla de inovação, que deve ser novo no contexto local, mas não necessariamente novo em sistemas globais. Esta perspectiva de inovação como um contínuo de atividades é particularmente importante para contextualização da inovação no ambiente dos países em desenvolvimento.

Para analisar as capacidades tecnológicas acumuladas em oito empresas de software estudadas do Rio de Janeiro e São Paulo, foi criada uma matriz dispondo as funções tecnológicas em colunas e níveis de complexidade em linhas.

No setor de tecnologia da informação, a certificação conhecida com “Capability Maturity Model” (CMM), elaborada pelo “Software Engineering Institute” (SEI), é usada varias vezes como medida de acumulação de capacidades tecnológicas. Este modelo avalia a maturidade do processo de engenharia de software em empresas e o classifica em cinco níveis.

Devido sua origem, o CMM mantém foco na capacidade da empresa em cumprir prazos e garantir a qualidade final, conseqüentemente, subavaliando outras importantes capacidades tecnológicas para que uma empresa de software seja considerada inovadora.

O estudo que deu origem ao artigo, propôs examinar o aspecto da dinâmica do processo de acumulação de capacidades tecnológicas em nível de empresas. Para aprofundar o entendimento sobre a natureza desse processo, e gerar uma conceituação analítica. O estudo foi fundamentado na base de estudo de caso (PATTO, 2003).

Para consecução do trabalho, foi deliberadamente selecionado um conjunto de empresas do setor de software nas duas maiores capitais brasileiras. O critério de seleção baseou-se na idéia de explorar a diversidade da dinâmica do processo de acumulação de capacidades tecnológicas. A pesquisa baseou-se em evidências qualitativas e quantitativas de primeira mão colhidas pessoalmente por meio extensivos trabalhos de campo.

 4 – Questões:

 1 – Qual a importância dos processos subjacentes de aprendizagem no modo e velocidade de acumulação de capacidades tecnológicas?

2 – O estudo não sugeriu qualquer tipo de taxa de acumulação de capacidades tecnológicas melhores ou corretas baseadas em fatores históricos ou comparativos, contudo, não seria importante investigar a variedade presente nas trajetórias de desenvolvimento tecnológico em termos de modo e velocidade.?

3 – Qual seria o melhor conceito de taxas de retorno do aprendizado, de modo a atender expectativa de investidores, gestores públicos e executivos corporativos, relacionando os custos reais do aprendizado com a contrapartida econômico-financeira?

Sobre holbeinmenezes

GRADUADO EM ENGENHARIA OPERACIONAL, PÓS-GRADUADO EM ENGENHARIA ECONÔMICA, MBA EM GESTÃO PARA QUALIDADE TOTAL E MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO
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