PLANEJAR PARA GANHAR

Resenha crítica sobre artigo publicado na REVISTA TECNOLOGÍSTICA (ABRIL/2008).

Por Holbein Menezes

Dentre os temas mais discutidos em fabricas de todo o mundo, o planejamento de produção deve seguramente ocupar posição de destaque, pois, afeta além dos resultados das empresas, também a rotina diária das diversas equipes de trabalho.

Embora os fundamentos do planejamento e controle da produção tenham sido estudados a longo tempo, diferentes definições são percebidas entre os pesquisadores deste assunto, contudo, podemos considerar o PCP como um elemento central na estrutura administrativa de um sistema de manufatura, passando a ser um elemento decisivo para à integração da manufatura (Moura Junior, 1996) .

O autor do artigo analisa a experiência da empresa Suspensys, que atua no ramo de fabricação de vigas de eixo, suspensão e sistemas de rodagem para veículos comerciais, na implantação do sistema NPS (Network Production Schedule), que em 2007 iniciou a implementação deste software.

Segundo o diretor industrial da empresa, Esdânio Pereira, já no primeiro ano foram registrados ganhos significativos na produção, mas ressalta que o objetivo não é ganho em volume, em contrario, foco na demanda do cliente, o que resulta numa produção bastante complexa. A tendência natural do pessoal de fábrica, continua, é tentar fabricar lotes maiores, contudo, a programação fina do sistema NPS não os permite. O sistema assegura a produção por pedido, havendo menos surpresas no processo e maior taxa de sucesso na linha.

Antes da implantação, a Suspensys formou uma equipe para estruturar uma “matriz de decisão”, definindo a forma como a empresa desejaria atender seus clientes, percentual de redução de estoques de matérias-primas, produtos acabados e expectativas em relação às condições comerciais para compra do software.  Segundo Pereira, foi feita uma analise preenchendo-se a matriz citada e, com os resultados obtidos, encontraram à melhor relação custo beneficio.

A implantação aconteceu em etapas, assegurando primeiramente que os processos tivessem padrões definidos, entendido aqui como roteiros de produção, e, em seguida, mapeando e definindo os tempos de produção de cada item. Através da analise feita sobre a experiência de outras empresas neste processo de implantação, foi possível perceber que é fundamental que estes dados sejam absolutamente confiáveis para que o projeto seja bem sucedido.

Após a concluir o processo de parametrização do sistema, a empresa procurou um local ideal que deveria reunir todas as características do conjunto da produção e ao mesmo tempo apresentasse menor complexidade, o que serviria como área piloto para iniciar o uso da ferramenta, deste modo, apreendendo mais rapidamente como utilizar o sistema.  Para avaliar o desempenho da implantação foi criado um indicador de aderência, que nortearia as correções que porventura se fizessem necessárias.

Após um ano de uso continuo do sistema, o indicador de aderência girava em torno de 85%, o que podia ser considerado um ótimo resultado tendo em vista que áreas que entraram no projeto posteriormente demorariam um pouco mais para atingir o ponto ideal, e, na visão de Pereira eles conseguirão chegar ao resultado de 100%.

Com os resultados obtidos, a Suspensys pôde manter uma produção puxada, em contra ponto ao que era percebido antes da implantação, e os estoques de matéria-prima, produto acabado e estoques intermediários foram diminuídos. Como agora o que é produzido já é embarcado, transformamos o espaço do estoque em área produtiva, menciona o gerente industrial e qualidade.

É possível concluir que a implantação do sistema APS na Suspensys foi fundamental para otimização do fluxo produtivo e logístico da empresa, contudo, podemos atribuir à estratégia da implantação o mérito maior do sucesso do projeto. Quando foram exigidos a medir e padronizar os fluxos produtivos, a gerência inevitavelmente se deparou com a tarefa da analise dos resultados e, conseqüentemente, com a missão da melhoria dos processos, de modo que o encadeamento dos tempos pudessem efetivamente dar o retorno esperado ao investimento.

Devemos também registrar que a definição clara das expectativas com relação aos resultados que poderiam ser obtidos foi muito importante na manutenção da estratégia de implantação escolhida.

Sobre holbeinmenezes

GRADUADO EM ENGENHARIA OPERACIONAL, PÓS-GRADUADO EM ENGENHARIA ECONÔMICA, MBA EM GESTÃO PARA QUALIDADE TOTAL E MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO
Esse post foi publicado em GESTÃO DE OPERAÇÕES E LOGISTICA. Bookmark o link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s