A INOVAÇÃO E APRENDIZADO COLETIVO: INTERAÇÃO E COOPERAÇÃO DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA EM INCUBADORAS DE EMPRESAS.

Resenha crítica sobre artigo publicado em (2007) – Autor Durval Meirelles

Por Holbein Menezes

Numa economia moderna desenhada em rede, onde a competição rompeu com as barreiras de fronteiras territoriais e passou a ter uma relevância jamais vista na historia dos negócios, o binômio inovação/competitividade constitui-se no elemento fundamental da capacidade produtiva de uma nação.

A inovação tecnológica, aqui entendida como a transformação do conhecimento em produtos, processos e serviços pode ser considerada uma ferramenta imprescindível para o desenvolvimento sócio-econômico dos países de economias emergentes, que ainda lutam para preencher seus espaços numa aldeia global e injusta, na qual o monopólio do conhecimento substituiu a exploração como ferramenta de exclusão, e vem exigindo crescentes investimentos no fomento as pesquisas para o desenvolvimento das capacidades produtivas nas áreas tecnológicas.

Iniciativas nascidas nas academias e suas incubadoras, que estimulam a parceria universidade/empresa a difundir conceitos de inovação tecnológica, empreendedorismo, aprendizagem coletiva por interação, arranjos produtivos, redes de conhecimento e destacadamente o processo de aprendizado coletivo, é uma das mais importantes iniciativas da difusão do conhecimento e estabelecimento de meios para a transformação da economia através de inovação.

As incubadoras de empresas, que segundo Dolabela (1999), teve origem nos EUA em 1934 quando do empreendimento iniciado por dois jovens americanos, com incentivo de seus professores, estabeleceram a “Hewlett Packard”, tem no Brasil, durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, um grande impulso após a criação do programa nacional de apoio a incubadoras de empresas, que conceitua em seu manual as incubadoras como:

“Uma Incubadora é um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais e que, além disso, facilita e agiliza o processo de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas” (2000)”.

Na conferencia mundial de incubadoras, realizada no Rio de Janeiro em 2001, o professor Rustam Lalkaka demonstrou a existência de 3000 incubadoras em todo o mundo, sendo que a época 35% estava localizada nos EUA, fato relevante quando analisado sob a ótica da revolução tecnológica e da participação americana neste processo. Ele ainda demonstra que as chances de sucesso das empresas oriundas de incubadoras são da ordem de 80%, o que é um contraste quando comparado com a taxa de sobrevivência de pequenas empresas (25%).

Segundo Meirelles (2000), no Brasil, para ingressar em uma incubadora de base tecnológica, os empreendedores são submetidos a um processo de seleção que levam em conta o perfil do projeto, viabilidade econômica, potencial de crescimento, tecnologia, empregos criados e o potencial de interação universidade/empresa. Isto, de certa forma, contribui para o sucesso da empreitada, pois, já elimina aqueles empreendedores mais despreparados.

Além do exposto, somado a infra-estrutura de laboratórios e instalações físicas, a interação universidade/empresa possibilita principalmente a criação de um ambiente propicio ao transbordamento do conhecimento, com uma continua interação entre professores, projetos e tecnologias.

Este conceito da economia da aprendizagem, não é importante apenas para a produção da tecnologia, ele é fundamental para a preparação para as economias emergentes no novo milênio que estão fortemente baseadas no capital intelectual, nas quais a habilidade de aprender é muito importante para indivíduos, firmas e regiões. Assumindo que inovação é um processo coletivo, podemos inferir que as incubadoras podem imprimir de forma indelével nos empreendedores a habilidade de aprender, o que hoje é mais importante do que o seu estoque de conhecimento.

Contudo, o sucesso no período pós-incubação depende da capacitação empresarial obtida pelo empreendedor no período em que esteve incubado, tanto quanto da capacidade tecnológica de seus produtos. Somando-se a isto, quando fora da incubadora os administradores destes empreendimentos necessitam desenvolver conhecimentos técnicos para a administração e gestão do seu negócio, além de suporte financeiro.

O panorama das incubadoras no Brasil em levantamento realizado em 2005 contabilizou 297 incubadoras em funcionamento, o que demonstrou uma evolução de 43% em dois anos, com destaque para a região nordeste do país, embora tenha sido percebida a prevalência das regiões economicamentes mais fortes. É importante registrar os expressivos números alcançados pelos estados de Minas Gerais, na região sudeste, e Pernambuco e Alagoas na região nordeste.

Embora no estudo tenha sido possível perceber que as maiorias das empresas analisadas ainda permaneciam ligadas as universidades, a natureza jurídica é em sua maioria privada. De forma geral, cada incubadora abriga até dez empresas, e contando com as empresas associadas, o numero de empregos gerados ultrapassa a marca de 30000. A maioria das empresas é do seguimento de tecnologia da informação e de comunicações, e seus custos operacionais giram em média entre 100 mil e 300 mil reais.

O extenso e relevante trabalho do autor oferece, em nosso entendimento, uma oportunidade singular para refletir sobre a lógica individualista das grandes empresas, que no Brasil contribuem pouco ou quase nada com as iniciativas das universidades, e também no papel do estado como coordenador desta tarefa, não só através do estabelecimento de políticas de incentivos, mas como agente facilitador do fluxo do conhecimento.

É oportuno discutir também o papel das organizações de ensino privadas de nível superior, que em geral buscam maximizar o lucro em oposição a sua missão social, fato que pode ser notado pela constatação de que a grande maioria das incubadoras estarem instaladas nas universidades públicas. Sob esta ótica, não podemos deixar de perceber que a ausência de projetos e modelos industriais para nortear a iniciativa privada, contribui fortemente para a baixa adesão das universidades privadas ao modelo de incubadoras.

Finalmente, uma crítica ao modelo de ensino brasileiro deve ser registrada, pois, não podemos perceber no ensino médio oferecido pelos governos estaduais o semear de pensamento científico, tão pouco a aplicabilidade dos saberes aprendidos em sala de aula.

Com raríssimas exceções, nas escolas públicas brasileira não é possível encontrar laboratórios para analise de fenômenos de qualquer natureza, deste modo, podemos supor que a atribuição para a criação da percepção da relação “causa e efeito”, indispensável ao “pensar” cientifico, está sendo transferida para as universidades devido à esquizofrenia do modelo educacional brasileiro.

Sobre holbeinmenezes

GRADUADO EM ENGENHARIA OPERACIONAL, PÓS-GRADUADO EM ENGENHARIA ECONÔMICA, MBA EM GESTÃO PARA QUALIDADE TOTAL E MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO
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