A Inovação através do aprendizado coletivo em um contexto pós-moderno

Resenha crítica do artigo acadêmico do autor Meirelles, Durval Correia.

Por Holbein Menezes

O ponto central discutido neste artigo emana do seguinte dilema: “… no fato de que a hegemonia de mercado e suas exigências atingiram um nível tal em intensidade, que se trata de uma sociedade que substituiu a exploração pela exclusão, contribuindo para que em diversas economias os ciclos de declínio econômico se intensifiquem”.

Sob o prisma dos conceitos neoclássicos de economia de mercado em ambientes com complexas relações econômicas, o autor percebe a necessidade da implantação de políticas de modernização das economias, visto que os efeitos da desorganização do capitalismo moderno e o avanço sem fronteiras do capital financeiro têm impulsionado empresas a acumular informações visando obter vantagem competitiva, por outro lado, inovar como meio de evolução ou sobrevivência.

Poderíamos sintetizar a importância da inovação no mundo contemporâneo através da transcrição parcial do texto de Shumpeter,(1934) segundo o qual “as inovações no sistema econômico não aparecem, via de regra, de tal maneira que primeiramente as novas necessidades surgem espontaneamente nos consumidores e então o aparato produtivo se modifica sob sua pressão”. Segundo o autor a inovação tecnológica seria dada pela oferta, deixando em segundo plano a demanda.

O processo concorrencial se caracteriza pelo desequilíbrio provocado pela incessante movimentação dos agentes econômicos, sendo a concorrência intrínseca ao capitalismo e a luta por competitividade. As inovações normalmente criam novos espaços econômicos, conseqüentemente, propiciam ao atores vantagem competitiva necessária no ambiente de competição globalizado sem fronteiras econômicas e culturais.

É fundamental para o entendimento deste contexto a ampliação do conceito do capital social das empresas, incluindo também o valor do processo coletivo de aprendizado continuo. Sociedades que investem em “capital social” sob a ótica colaborativa, conseguem alavancar capacidades e habilidades necessárias à criação de um ambiente inovador.

Uma visão relacional em cadeias de negócios, comum em ambientes competitivos, prescindem de um processo de aprendizado continuo e interativo por parte das firmas em seus relacionamentos internos e externos, todavia, é importante distinguir o papel do conhecimento tácito, difícil de ser transferido, comumente percebido como uma habilidade que não pode ser vendida ou comprada e que prescinde de um contexto social para sua transferência, do conhecimento codificado, explicito, que pode ser transferido como informações, podendo ser transmitido com a infra-estrutura necessária. Segundo Lundvall (1997), este processo de “redução e de conversão” do conhecimento codificado possibilita sua transmissão, verificação, armazenamento e reprodução.

A economia da aprendizagem não é importante apenas para a produção da tecnologia de alto nível, ela é fundamental para as economias baseadas no capital intelectual, onde a habilidade de aprender é crucial para os indivíduos, firmas e regiões. Em outras palavras o aprendizado deveria permear todos os setores da economia, desde os tradicionais e menos intensivos em aplicação de tecnologia aos mais complexos, onde a tecnologia é fator de diferenciação. O potencial de aprendizagem pode diferir entre setores e tecnologia, contudo, deve ser explorado em todos os segmentos.

Como podemos assumir que inovação é um processo coletivo, podemos inferir que hoje a habilidade de aprender é mais importante do que o estoque de conhecimento do que se possui. Para Ludvall a inovação social seria a base para a inovação tecnológica, e a formação de “Clusters” ou condomínios de empresas com objetivos semelhantes, criariam os meios para que os fluxos de conhecimentos tácitos fluíssem criando redes produtivas e de inovação.

No Brasil, podemos perceber que iniciativas nascidas nas academias e suas incubadoras, que estimulam a parceria universidade/empresa à difundir conceitos de inovação tecnológica, empreendedorismo, aprendizagem coletiva por interação, arranjos produtivos, redes de conhecimento e destacadamente o processo de aprendizado coletivo, é uma das mais importantes iniciativas da difusão do conhecimento e estabelecimento de meios para a transformação da economia através de inovação de produtos e processos.

Concluímos que o papel do estado como coordenador desta tarefa é fundamental, não só através do estabelecimento de políticas de incentivos, mas também como agente facilitador do fluxo do conhecimento.

Sobre holbeinmenezes

GRADUADO EM ENGENHARIA OPERACIONAL, PÓS-GRADUADO EM ENGENHARIA ECONÔMICA, MBA EM GESTÃO PARA QUALIDADE TOTAL E MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO
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