A DINAMICA MICROECONÔMICA: Uma Rediscussão.

Resenha crítica do artigo dos autores: Da Silva, Cristian Luiz, Dos Anjos, Maria Anita

Por Holbein Menezes

Com o propósito de discutir a dinâmica microeconômica sob o enfoque de tomadas de decisões nas empresas em ambientes econômicos incertos, os autores iniciam sua exposição abordando o tema clássico de microeconomia baseado na construção de um arquétipo de “Homem econômico”, que age racionalmente e é desprovido de fraquezas e interdependências.

O processo de tomada de decisão em ambientes de competição e economias dinâmicas requer, entretanto, uma abordagem flexível dada às variáveis ambientais incertas, todavia, as construções de cenários de ambiente futuro são em geral baseadas em situações experimentadas no presente e no passado, carecendo de um modelo ideal de analise. “Muitas são as criticas ao pensamento neoclássico, porém remotas ou inexistentes são as alternativas de explicações para as relações e comportamentos dos agentes” (Lisboa 1998).

As analises de ambientes concorrenciais devem iniciar pela compreensão das forças que interagem na competitividade dos mercados. Segundo COUTINHO E FERRAZ (1994), há três grupos de fatores a serem levados em conta; sistêmicos, estruturais e internos. Os fatores sistêmicos são aqueles que afetam a competitividade das empresas, contudo, não estão ao seu alcance para exercer controle. Os estruturais são aqueles específicos do mercado, podendo ou não ser controlados pelas empresas. Os fatores internos são aqueles que são inteiramente controlados nas firmas, estando conectados a sua forma de gestão e estratégias.

Estratégia segundo MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000) pode ser definido através de um conjunto de cinco conceitos: i) A estratégia é um plano; ii) A estratégia é um padrão; iii) A estratégia é uma posição ou localização; iv) A estratégia é uma perspectiva; v) A estratégia é uma manobra.  Definir estratégia com fundamentos tão abrangentes e complementares é muito difícil, pois, a estratégia competitiva ocupa papel decisivo no sucesso das empresas. Cada empresa tem sua própria estratégia, que é alavancada pelas suas capacitações e competências, contudo, a necessidade das mudanças impostas pelos ambientes de competição as obriga a responder questões que são omitidas pela microeconomia convencional.

Já KEYNES (1982, p.124) entende que expectativas são racionais pela incapacidade de se lidar com o incerto, portanto, “agentes criados” necessitam de um ambiente restrito que não considere variáveis de conotação dinâmica. No modelo neoclássico, os acontecimentos não previstos são considerados exógenos. Para o autor, na tomada de decisão são geralmente priorizados os fatos que merecem confiança em detrimento da incerteza que porventura exista no ambiente em analise.

Na analise dinâmica, que incorpora o tempo (mudança) nos seus conceitos, é afastada a idéia de equilíbrio do processo decisório, podendo então os agentes apresentar comportamentos irracionais, impondo a imprevisibilidade como pressuposto. O sucesso estratégico das empresas está diretamente ligado a sua capacidade de identificar as características do ambiente de competição. Essa noção de “mudança” contribuiu sobremaneira para as teorias de analise econômicas. “… o futuro é tão importante para as decisões tomadas quanto o presente, justamente porque grande parte das ações presentes é orientada para o futuro” (p.29).

Diante da impossibilidade de antecipar o futuro, a incerteza surge como elemento natural na ação econômica e nas expectativas de negócio. Trabalhar com probabilidades para reduzir incertezas é sinônimo de atribuir riscos aos cenários concebidos. As diversas estratégias adotadas pelos variados negócios, dependem deste modo, de como cada empresário vislumbra seu mercado e momento econômico futuro, presente e como ele interpreta o passado.

O processo concorrencial se caracteriza pelo desequilíbrio provocado pela incessante movimentação dos agentes econômicos, sendo a concorrência intrínseca ao capitalismo bem como a luta por competitividade. O sobrevivente no sistema econômico dependerá das melhores estratégias e suas capacitações tecnológicas, que é normalmente o primeiro determinante no estabelecimento das mesmas. A concorrência é segundo POSSAS (1999, p.31) um processo sem termino, possibilitando a todo o momento o surgimento de novos atores, inclusive, mesmo em ambientes de monopólio, não é possível dissociar-se a concorrência.

No modelo proposto por SIMONSEM (1994, p.399) de analise microdinâmica em ambientes com incerteza, o autor sugere que o agente é capaz de associar a cada evento uma probabilidade máxima e mínima, neste caso, a probabilidade verdadeira pode ser considerada aquela que permite com maior segurança, a definição de uma estratégia a ser adotada. Este modelo de analise pressupõe conhecimento dos formuladores da estratégia sobre o ambiente de negócio onde estão inseridos.

Concluímos que no ambiente competitivo do novo século, onde podemos notar que o processo de globalização rompeu as fronteiras econômicas e culturais dos países, e, adicionados os efeitos da internet, que acelera exponencialmente a propagação das tendências e valores, é no mínimo discutível a aplicabilidade do modelo neoclássico para análise microeconômica como suporte ao processo decisório, este carecendo de atualizações nos seus pressupostos, devido as influencias ativas dos agentes atuantes no cenário corrente, onde atores são muitas vezes obrigados a agir de maneira ilógica para os padrões estabelecidos.

No entanto, dada a complexidade do tema, não podemos simplesmente descartar a contribuição dos modelos neoclássicos para o estudo da microeconomia, já que a velocidade das transformações econômicas não tem permitido a formação de um novo paradigma natural para analise, todavia, estamos convencidos que uma evolução das premissas, principalmente aquelas que admitem simultaneamente múltiplos valores, enriquecerá a dinâmica deste processo.

Sobre holbeinmenezes

GRADUADO EM ENGENHARIA OPERACIONAL, PÓS-GRADUADO EM ENGENHARIA ECONÔMICA, MBA EM GESTÃO PARA QUALIDADE TOTAL E MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO
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