INTRODUÇÃO

Desde os primeiros dias do cilindro de cera de Édison, a
indústria fonográfica se tornou uma mistura complexa de técnica e
comércio altamente rentável, apoiada no fascínio universal que a
música exerce, e na sua capacidade de direcionar as massas para o
consumo dos mais diversos sub-produtos desta industrial. Hoje em
dia, a maioria das empresas fonográficas rompeu as barreiras da
nacionalidade e passou a integrar as diversas culturas e a impor um
padrão estético internacional.

A indústria fonográfica teve duas eras “de ouro”. A primeira,
englobou três décadas, desde a chegada, em 1901, do disco
fabricado em larga escala, até cerca de 1930. A segunda, se
estendeu do início da década de 50 até meados da década de 90.
Antes e durante a Primeira Guerra Mundial, os discos
constituíam-se na forma mais popular de entretenimento doméstico
nos Estados Unidos. Porém no após-guerra ocorreu rápida queda
desse interesse, só revertida com a chegada da gravação elétrica,
em 1925. Esse novo surto de interesse prolongou-se até o final da
década de 20. Com a depressão dos anos 30 – e o crescimento do
rádio, que oferecia entretenimento sem custo algum -, voltaram a
reduzir-se as vendas de discos fonográficos. Em apenas quatro anos
caiu 93%. A indústria foi salva, assim se pode afirmar, graças à
revogação do Ato de Proibição de vendas de bebidas alcoólicas, em
1933 – talvez porque os discos se faziam necessários ao
reabastecimento dos toca-discos automáticos, instalados nas salas de
espera dos bares reabertos em todo o país.

Após a Segunda Guerra Mundial, as companhias fonográficas
temiam que o crescimento da televisão arruinasse as vendas de
discos, a exemplo do que ocorreu com o rádio em 1930. Mas
aconteceu o contrário. O advento da TV gerou a segunda “Era de
ouro” da indústria. Quando a TV passou a exibir noticiários, filmes e
novelas, que se constituíam o grosso da programação do rádio, as
estações de rádio ficaram sem nada para transmitir. Para
permanecerem no ar, começaram a tocar discos o tempo inteiro,
propiciando com isso ilimitada exposição do produto da indústria
fonográfica.

Com essa campanha incansável de publicidade gratuita através
do rádio, além do fascínio exercido pelos discos “inquebráveis”
batizados pelo acrônimo da palavra inglesa long-plays (LP) e pelo
som de alta-fidelidade, as vendas de discos estouraram. Ao lado de
competirem por audiência ao transmitir programas das 40 músicas
de maior sucessos, as estações de rádio passaram a divulgar a
música de rock, propiciando seu crescimento explosivo. O surgimento
de um pequeno rádio transistor portátil completou o processo de
crescimento da música de rock, pelo fato de facultar aos
adolescentes a privacidade de ouvir o rádio longe da vista de seus
pais conservadores. As vendas anuais de discos, nos EUA, cresceram
de US $200 milhões, no início da década de 50, para US $9 bilhões
em 1992 (Enciclopédia Groulier – 1996). Esta cifra se deveu à venda
de CDs, produto que, naquele ano, ultrapassara o cassete como o
meio de gravação popular.

Na metade dos anos 90, e impulsionado pelos efeitos da
“Revolução Tecnológica” e conseqüente processo de globalização
das economias, a Internet surgiu como meio alternativo de
distribuição de conteúdos e um caminho natural para a distribuição
da música no seu novo e popular formato digital.
Foi fundamental, para viabilizar esse novo canal de
distribuição, as iniciativas de pesquisas da indústria eletrônica para o
desenvolvimento do novo formato da televisão digital. Um grupo de
cientistas do comitê MPEG (Moving Player Expert Group),
desenvolveu um algoritmo de compressão dinâmica do som MP3,
baseado na premissa da baixa capacidade de percepção de sons de
alta freqüência pelo cérebro humano, obtendo arquivos com um
décimo do tamanho original, assim possibilitando a transmissão do
conteúdo de áudio dos programas televisivos em uma banda muito
mais estreita, sem perda perceptível de qualidade.

Prevendo o potencial desse processo de compressão para
arquivos de conteúdo musical, o jovem Shawn Fanning, estudante
americano da Universidade de Northeastern, em Boston, conseguiu
conquistar o mundo com a simples idéia de compartilhar arquivos
musicais nesse formato, gratuitamente quando cadastrados no
servidor de informações do programa Napster.
Em pouco mais de um ano, o Napster conquistou mais de 57
milhões de associados (Teixeira Junior 2002), que trocavam em
média um milhão de arquivos de músicas por minuto, o que fez com
que as gravadoras e músicos processassem o “garoto” criador do
programa, por ferir o direito de propriedade amparado pelas leis de
direitos autorais .

De acordo com um relatório divulgado pela RIAA, a associação
americana da indústria fonográfica (http://www.riaa.org), as vendas
de CDs nos USA caíram 7% nos primeiros seis meses de 2002, um
fato que é atribuído ao aumento dos downloads de música feitos por
meio dos serviços de troca de arquivos que sucederam o Napster.
Hoje, o declínio das vendas de discos parece indicar que assim
como aconteceu quando o rádio iniciou suas atividades na década de
30, a troca de conteúdo pela Internet está ferindo o modelo vigente
da indústria fonográfica e impelindo a esta repensar seus modelos
de negócios. Enquanto a RIAA trabalha para manter seu modelo de
negócio dentro do paradigma estabelecido, os consumidores
continuam adotando novas formas de mídia musical.

O mais recente estudo feito pela ABPD – Associação das
Brasileira de Produtores de Discos, revela que nos paises mais ricos
as pessoas estão baixando mais música e gravando mais CDs, e nos
paises mais pobres, estão cada vez mais comprando discos piratas,
que nem sequer buscam semelhança como seu pares verdadeiros, a
não ser pelo conteúdo musical.

Sobre holbeinmenezes

GRADUADO EM ENGENHARIA OPERACIONAL, PÓS-GRADUADO EM ENGENHARIA ECONÔMICA, MBA EM GESTÃO PARA QUALIDADE TOTAL E MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO
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